Quero-te do meu lado, como no inicio. A carta que te escrevi.
«T, Lembras-te como tudo começou? Por vezes ponho-me a pensar, de como éramos no inicio.
O nosso começo foi certamente um pouco torbulento. Dou por mim a sorrir para comigo mesma de cada vez que me vem à memória o teu primeiro 'amo-te', que me tirou o fôlego, que me estremeceu as pernas. Lembro-me de como fui parva (não tendo descrição melhor) por não ter visto o que sempre esteve lá. Um amo-te. Mais ainda, recordo-me das nossas noite complicadas, com imenso batalhão a olhar para nós, ao frio, meio que pernetas. Lembro-me ainda de como esse frio era nulo, quando, mesmo antes de virar-mos costas à guerra nocturna, diziamos 'amo-te', quase que em simultâneo. E já no aconchego da camarata, a tentar fingir sentimento de lar - doce lar - lá estavas tu, a fazer sinais de fumo, até que uma das fogueiras se apagassem e assim, sem mais escolhas ou alternativas, esperávamos pela manhã seguinte. Lembro-me que não houvesse quem não tivesse reparado que toda aquela minha disposição matinal a que já os habituara, não era a mesma. Tinha aprendido a sorrir antes do pequeno-almoço. Mais do que isso, lembro-me quando acordavas chateado comigo. Pensava eu que tinha falhado, desiludida comigo mesma por te ter falhado, não sabia por onde começar o meu pedido de desculpa. Quando finalmente, me arrancavas o sorriso, aquele que só tu o vês, da maneira como o vês, explicando que a razão do teu descontentamento era causado por um episódio durante o sono, em que acordavas, olhavas para o lado e eu não estava lá.
Tudo isto, poderiam ser memórias, mas não consigo aceitar este termo para o que sinto. Memórias, são pedaços do que já passou. Tu, eu... Nós somos muito mais que isso. Porque contigo, já não faço a minha rotina matinal apenas com um olho aberto, para que o outro continue a descansar por mais uns momentos. Contigo, sei que sou estranha, talvez mais do que a população normal dos estranhos. Mas também sei que me amas. E tu sabes que te amo. Porquê?
Porque não somos memórias. Somos capítulos, desta minha fluidez de pensamento, que já havia escassado. Mas tu, novamente tu. Fazes com que eu, seja eu. E eu, sou isto. Sou eu mesma e ao mesmo tempo pedaço de ti. Amo-te. Foi assim que começou, é assim que vai continuar. Porque para te amar, só preciso de existir. Por certo, que não seri correcto chamar-te de musa, mas és o meu espelho, és o pedaço de QI que tenho, não sei bem onde. És, também tu, pedaço de mim. É desse pedaço que preciso para ser eu. E assim, nesta mixórdia de pedaços, pedacinhos e migalhas, nós, somos o que de nós fazemos. E nós, somos singular.»
Camila M.

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